Por que essa preocupação é razoável
A preocupação
A objeção, dita sem rodeios
Seja o que mais for, essa tecnologia é feita de prédios. Não uma nuvem e não uma metáfora: galpões de máquinas, subestações, linhas de transmissão, sistemas de resfriamento, em terreno real e com vizinhos reais. Eles esquentam, consomem muitíssima eletricidade e sobem depressa. Para boa parte de quem mora perto, a decisão parece já tomada quando a notícia chega.
O que torna isso uma objeção séria, e não um estado de espírito, é que o custo fica invisível exatamente onde a escolha é feita. Um carro queima combustível que você compra. Um data center queima energia que outra pessoa compra, num prédio que você nunca vai ver, numa rede elétrica que você não escolheu. Sua tela mostra um cursor piscando e mais nada. O único jeito de saber quanto custa uma coisa é alguém contar, e sobre isso quase ninguém conta.
Um pai ou uma mãe que pergunta sobre isso está fazendo a pergunta de sempre. Uma indústria nova chega com o crescimento primeiro e a contabilidade depois, os benefícios se espalham finos e longe, e os custos — a água, as linhas de transmissão, a usina que não fecha na data prevista — caem sobre quem mora ao lado. Isso já aconteceu vezes suficientes para ser um padrão e não uma desconfiança. Se você se importa com o mundo que seu filho vai encontrar adulto, querer saber o que está sendo construído e do que aquilo precisa não é atrapalhar. É a pergunta que se deve fazer antes de o concreto ser lançado.