Por que essa preocupação faz sentido
A preocupação
A objeção, dita como deve ser
Seu filho pergunta a um assistente algo próximo de casa: de onde a sua família veio, uma palavra que a sua avó usa, um episódio de história que aconteceu com gente como você. A resposta chega rápida, fluente e sem nenhuma hesitação visível. E ela é rasa, ou um pouco torta, ou escrita como se a parte interessante da história tivesse acontecido em outro lugar. Nada ali é mentira. Só não é sobre você.
O que faz disso uma objeção, e não uma reclamação, é que decorre de como a coisa foi construída. Um modelo aprende de uma pilha enorme de textos e imagens que pessoas produziram, e essa pilha não é um recorte representativo da humanidade. É quem estava publicando, nas línguas que dominam a web, nas décadas que foram digitalizadas, sobre os assuntos a respeito dos quais se escreveu muito. O que ficou registrado em abundância vira a noção de normal do modelo. O que ficou registrado de raspão volta igualmente raso.
Ninguém decidiu isso. Não existe uma sala em que alguém escolheu deixar a sua comunidade de fora, e dizer isso não consola muito, porque a resposta que seu filho lê é a mesma de qualquer jeito. É isso que torna a preocupação difícil de descartar: ela não depende da má intenção de ninguém, então não desaparece quando todo mundo envolvido tem boas intenções. E pesa mais sobre uma criança do que sobre você. Você perceberia que falta algo em um resumo. Uma criança de nove anos lê um parágrafo cheio de segurança e arquiva aquilo como o que aconteceu.